O ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), informou nesta sexta-feira (6/3), por meio de uma nota, que não teve acesso ao material retirado dos aparelhos celulares apreendidos pela Polícia Federal, como o do banqueiro Daniel Vorcaro. Segundo ele, esse material só chegou ao STF após o ministro André Mendonça assumir a relatoria do inquérito do Banco Master, em 12 de fevereiro deste ano.
“Desde que assumi a relatoria da operação compliance zero até deixar a relatoria, deferi todas as medidas requeridas pela Polícia Federal e pela Procuradoria-Geral da República, as investigações continuaram a ser realizadas normalmente e de forma regular, sem prejuízo da apuração dos fatos e nenhum pedido de nulidade foi deferido”, disse o ministro.
Segundo Toffoli, no dia 19 de dezembro de 2025, foram recebidos os documentos da 10ª Vara Federal de Brasília sobre o caso Master e, neste momento, não havia “nenhuma informação sobre o conteúdo dos aparelhos celulares apreendidos”.
Toffoli destacou que, no dia 15 de janeiro de 2026, a Polícia Federal pediu a prorrogação do inquérito por mais 60 dias para realizar novas oitivas e analisar 10 aparelhos celulares, computadores e arquivos em HDs de três instituições financeiras. No dia seguinte, ele estendeu o prazo de validade do inquérito e, na ocasião, disse que a análise do material poderia ser realizada pela Polícia Federal.
Ainda de acordo com o ministro, no fim de janeiro, a PF ouviu investigados que fizeram referência ao material colhido nos aparelhos celulares e as defesas disseram que não tiveram acesso ao material.
O conteúdo das mensagens do celular de Vorcaro levaram à deflagração da 3ª fase da Operação Compliance Zero pela Polícia Federal, na quarta-feira (4/3), quando o banqueiro foi preso novamente, juntamente com o seu cunhado Fabiano Campos Zettel, operador financeiro do grupo; Felipe Mourão, o sicário, e o policial federal aposentado Marilson Roseno da Silva. Mourão tentou suicídio menos de 24 horas após a prisão.
As investigações apontam que o Banco Master, controlado por Vorcaro, estruturou esquema de captação agressiva de recursos mediante emissão de CDBs com rentabilidade muito superior à média de mercado, direcionando os valores obtidos para operações financeiras de alto risco, aquisição de ativos de baixa liquidez e estruturação de fundos vinculados ao próprio conglomerado econômico.

