O Novo oficializou, nesta segunda-feira (27/7), a candidatura de Romeu Zema, ex-governador de Minas Gerais, à Presidência da República. A convenção nacional da sigla ocorreu em Brasília e contou com a participação do presidente nacional do Novo, Eduardo Ribeiro, do senador Eduardo Girão (Novo-CE), pré-candidato ao governo do Ceará, e Deltan Dallagnol (Novo), pré-candidato ao Senado pelo Paraná.
Com discurso de combate a corrupção e ao crime organizado, Romeu Zema voltou a criticar as relações de Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, com políticos e membros do Supremo Tribunal Federal (STF) e defendeu um “choque na segurança pública”, com a construção de um super presídio.
“Vou enquadrar todas as organizações e facções criminosas como terroristas. Vamos construir um super presídio, de referência num lugar remoto, no meio da amazônia, para onde todos esses líderes vão ser encaminhados e vão mofar por pelo menos 25 anos”, destacou o ex-governador de Minas.
Durante o seu discurso, Romeu Zema relembrou o trabalho realizado durante sua gestão à frente do governo mineiro, como o enxugamento da máquina pública: “Já deu certo em Minas, vai dar certo no Brasil.”
Na pesquisa Datafolha, divulgada na sexta-feira (24/7), Romeu Zema aparece com 3% das intenções de voto, empatado tecnicamente com Ronaldo Caiado (PSD), Renan Santos (Missão), Augusto Cury (Avante) e Samara Martins (UP). Na liderança estão o presidente Lula (PT), com 40%, e o senador Flávio Bolsonaro (PL), com 32%.
Eduardo Ribeiro afirmou que a escolha do nome de Romeu Zema ocorreu por aclamação dentro do partido e reforçou que a sigla possui uma “visão de mundo, uma visão de política, uma visão de Estado muito diferente do Estado de todos os partidos”.
Apesar disso, nomes importantes do Novo não estiveram presentes, como os deputados federais Marcel van Hattem (Novo-RS) e Adriana Ventura (Novo-SP).
Ataques ao PT
Embora Romeu Zema se coloque como um candidato alternativo à candidatura de Lula e Flávio Bolsonaro, os participantes do evento se concentraram em críticas às gestões petistas. Deltan Dallagnol, por exemplo, citou o combate ao que ele chamou de “casta de intocáveis” e a saída do PT do governo.
“O Romeu Zema na Presidência significa colocar na Presidência um homem do povo. Alguém simples, de hábitos comuns, que é uma pessoa comum. Alguém que vem de fora, que não é contaminado pelo mundo político e por toda a podridão que existe nele”, defendeu o ex-procurador da República e ex-chefe da Força Tarefa da Lava Jato.
Na mesma linha, o senador Eduardo Girão mencionou o trabalho realizado por Deltan Dallagnol na Lava Jato por investigar grandes nomes da classe política. O senador seguiu reforçando a necessidade de “recuperar” o Brasil, durante uma possível eleição de Romeu Zema.
“O PT vai deixar esse país quebrado a partir do ano que vem. E nós precisamos de alguém que possa, com experiência, recuperar a nossa nação. Ele tem diálogo. Ele é uma pessoa simples, mas extremamente comprometida com o Brasil”, disse o senador do Novo.
Romeu Zema disse que a bandeira da campanha presidencial será “contra o PT”. Além disso, mencionou a necessidade do que ele chamou de “perseguição” nos julgamentos dos envolvidos no 8 de janeiro e comparou a anistia ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) a anistia de sequestradores no passado.
“O Brasil já não anistiou sequestradores, assassinos no passado? Assaltantes de bancos. Então vamos olhar para o futuro. Eu acho que você passa uma borracha nisso e falar: ‘tá resolvido e vamos olhar para o futuro’”, completou Romeu Zema.
Chapa pura
Questionado sobre a escolha de um vice, o presidente do Novo pontuou que não descarta a possibilidade de uma chapa pura, no entanto, não apresentou nomes. Segundo ele, ainda há conversas com outros partidos.
Inclusive, Romeu Zema informou sobre a possibilidade do ex-ministro Joaquim Barbosa (DC), do STF, assumir a vaga de vice na chapa. “A principal bandeira dele, talvez seja o que o Brasil mais precisa hoje: combate a corrupção. Tive uma conversa muito breve com ele, não temos nada definido, como eu falei, e devemos marcar uma outra conversa, mas depende ainda do partido.”
“Frutas podres”
Romeu Zema argumentou a necessidade de uma idade mínima para indicação de ministros do Supremo e a necessidade de “impeachment dessas frutas podres” que estão no STF, como Gilmar Mendes, Alexandre de Moraes e Dias Toffoli.
“Eu quero que seja nomeado para o STF idade mínima de 60 anos. Ir para o STF é o coroamento de uma longa carreira, igual ao papa. Não se vê um papa de 35 anos. É o coroamento de uma carreira longa no setor jurídico ou acadêmico. Você com isso limita 15 anos a permanência de ministro-eleito ou indicado”, justificou o pré-candidato.
Pela Constituição, um indicado a ministro necessitar ter idade acima de 35 anos, notável saber jurídico e reputação ilibada e pode permanecer no cargo até os 75 anos, quando é aplicada a aposentadoria compulsória.

