O PSD buscou demonstrar força e união ao lançar oficialmente neste domingo (26/7) o ex-governador Ronaldo Caiado como candidato a presidente da República. A convenção, realizada em São Paulo, reuniu líderes regionais e procurou enfatizar que a “chapa pura” do partido tem como principal objetivo vencer a eleição nacional apostando na rejeição dos dois favoritos até agora segundo as pesquisas.
No entender do comando do PSD, para fazer Caiado decolar nas pesquisas de intenção de voto, o partido precisa transmitir ao eleitor a ideia de que a candidatura presidencial “é para valer”, tem o aval da maioria dos dirigentes da sigla e que o ex-governador de Goiás é único candidato de oposição a Lula com viabilidade eleitoral para derrotar o petista.
“Sou o único que no segundo turno pode derrotar o PT”, disse Caiado, em vários momentos da coletiva que concedeu ao lado do candidato a vice, Gilberto Kassab, antes do início da convenção. A mensagem embute uma estratégia simples: convencer o enorme eleitorado antipetista de que Flávio Bolsonaro (PL), o oposicionista mais bem colocado nas pesquisas, perderá para o presidente Lula no segundo turno.
De acordo com a mais recente pesquisa Datafolha, 48% dos eleitores afirma que não votarão de forma alguma em Flávio, enquanto 46% em Lula. Os demais candidatos têm níveis inferiores, de 13% para baixo.
“Não é possível que o Brasil vá querer optar por aqueles que são os maiores rejeitados da política nacional. Eleição não é de rejeitados. É de quem traz resultado para a sociedade brasileira. É o que nós demonstramos. Saímos do governo do estado com 88% de aprovação, mostrando que, quando se tem capacidade para governar, a população reconhece. O que o Brasil precisa é de alguém que tenha coragem de comprar a briga pelo cidadão brasileiro”, disse Caiado.
Segundo o Datafolha, na simulação de primeiro turno Lula tem 40% das intenções de voto, 8 pontos percentuais à frente de Flávio Bolsonaro, que marca 32%.Em seguida, aparece Caiado, com 4%. Romeu Zema (Novo) e Renan Santos (Missão) marcaram 3%. A margem de erro é de 2 pontos percentuais.
No segundo turno, Lula (PT) aparece com 48% das intenções de voto contra 43% de Flávio. Segundo a pesquisa, o petista também venceria Caiado por 47% a 40% se a eleição fosse hoje.
‘Rachadinha’ e Banco Master
Além de tentar demonstrar viabilidade eleitoral, Caiado também procurou se diferenciar de Flávio e subiu o tom das críticas ao filho de Jair Bolsonaro e à polarização entre PL e PT. Citou “rachadinhas” e “Banco Master” quando falava genericamente de escândalos de corrupção que assolaram o país nas últimas décadas.
Recentemente, vieram à tona as relações de Flávio com Daniel Vorcaro, ex-controlador do Master, epicentro de gigantesca fraude financeira que resultou na liquidação extrajudicial da instituição. O senador chegou a ser investigado pela prática de “rachadinha”, termo popular usado no Brasil para definir a prática de desvio irregular de salário de assessores. Sobre a polarização, Caiado disse que ela “é o máximo da estupidez”.
Caiado fez diversas insinuações na direção de Flávio Bolsonaro. Disse que a direita não pode ter um “candidato Kinder Ovo, que vem com uma surpresinha todo dia” nem um “frango de granja” que “lê cartas do papai”. “Eu sou galo de terreiro, sou acostumado na briga, mas brigo pelo que interessa ao Brasil”.
Em relação à outra ponta do espectro político-eleitoral, a da esquerda, Caiado se esmerou em criticar Lula como estratégia de ser firmar no cenário na condição de “candidato antipetista raiz”, pois enfrentou Lula na eleição presidencial de 1989, a primeira após a ditadura militar (1964-1985). “Comigo, bandido não se cria. Corrupto não se cria. PT não se cria.”
Chapa pura e ausência de Tarcísio
Já sob o palanque montado para a convenção, Caiado agradeceu a Kassab, presidente nacional do PSD, pela nova oportunidade de concorrer à Presidência. “Kassab manteve aquilo que foi a possibilidade de nós mostrarmos a força deste partido para caminhar no Brasil todo. Obrigado.”
Os governadores Ratinho Jr. (PSD-PR) e Eduardo Leite (PSD-RS), que se colocaram na disputa interna do partido pela vaga de candidato a presidente, compareceram ao evento e foram saudados por Kassab como exemplo de que o partido está unido em torno de Caiado. “A chapa pura nos dá liberdade e harmonia”, disse Kassab.
Caiado foi questionado pelos jornalistas sobre outros nomes do PSD que disputam governos e até agora não abriram seus palanques a ele. O candidato, em resposta, preferiu ressaltar os apoios já conquistados, enquanto Kassab minimizou o fato de Eduardo Paes (PSD-RJ) e Raquel Lira (PSD-PE), por exemplo, estarem com Lula. Segundo o presidente do partido, tratam-se de “palanques múltiplos”,
O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), era aguardado na convenção do PSD, mas não compareceu após pressão do PL e de Flávio Bolsonaro, que é o presidenciável apoiado pelo atual ocupante do Palácio dos Bandeirantes. Kassab fez questão de minimizar a ausência. “O candidato do Tarcísio é outro, e nós respeitamos”, disse.
Debates e segurança pública
O candidato do PSD a presidente manteve o discurso linha dura na segurança e incluiu a defesa das mulheres ao tratar do tema. Segundo ele, acusados de agressão e de feminicídios estarão entre os alvos prioritário de sua política. “Vou meter algemas e tornozeleiras em maridos que praticam violência doméstica.”
No final do discurso, Caiado afirmou que participará de todos os debates eleitorais e que Lula quer “fugir” dos encontros.

