Moraes autoriza prisão de deputado eleito no RJ por esquema de lavagem de dinheiro em postos

A Polícia Federal prendeu nesta quinta-feira (15/10) o deputado estadual eleito Márcio Canella (União Brasil), o ex-chefe da Polícia Civil do Rio de Janeiro, Marcus Amim, e mais quatro policiais civis, no âmbito da Operação Unha e Carne, autorizada pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).

De acordo com a PF, essa operação foi o tema da reunião realizada entre o ministro Alexandre de Moraes, o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, e os diretores de Divisão de Crime Organizado, Dennis Cali, e de Inteligência, Leandro Almada, na segunda-feira (6/10), no STF.

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A operação tem como objetivo desarticular organização criminosa armada suspeita de lavar dinheiro por meio de uma rede de postos de combustíveis na região metropolitana do Rio de Janeiro. Também foram cumpridos 16 mandados de busca e apreensão, sequestro de bens e valores e a suspensão das atividades econômicas de 112 empresas ligadas à rede de lavagem de dinheiro. Desse total, 96 são postos de combustíveis, que, segundo a polícia, eram utilizados para camuflar e legalizar os recursos de origem criminosa.

De acordo com as investigações, o esquema movimentou mais de R$ 7,6 bilhões nos últimos seis anos, conforme Relatório de Inteligência Financeira do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (COAF), enviado à Polícia Federal.

Segundo a PF, a organização criminosa conta com núcleos de atuação. Um deles é o político institucional, responsável pela articulação e interlocução com agentes públicos e pela sustentação do esquema ilícito. Abaixo dele, o núcleo econômico-financeiro seria encarregado da captação, movimentação, ocultação e dissimulação dos recursos auferidos. Esse núcleo utiliza de pessoas físicas, jurídicas e operadores financeiros para conferir aparência de licitude às operações realizadas.

Ainda de acordo com a PF, Márcio Canella, ex-prefeito de Belford Roxo e eleito deputado estadual nas eleições de 2026, é o “patrono político” e articulador de alto escalão da organização criminosa. Cabia a ele o papel de conectar os integrantes do núcleo econômico, agentes públicos e estruturas políticas. As investigações indicam que seria beneficiário recorrente de valores vindos da atividade ilícita do grupo, além de ter atuado na indicação de agentes para cargos estratégicos da administração pública.

Já Marcus Vinicius Amim Fernandes, ex-secretário de Polícia Civil do Rio de Janeiro, teria atuado como operador institucional da organização criminosa, proporcionando proteção administrativa e policial ao grupo e recebendo recursos por intermédio de empresas vinculadas a seus familiares.

A investigação também evidencia a participação de empresas ligadas ao setor de combustíveis, bem como de colaboradores responsáveis por atividades administrativas, contábeis e logísticas, além de integrantes vinculados ao controle territorial e à execução de ações violentas em favor dos interesses do grupo.

Um trecho da decisão de Alexandre de Moraes aponta que as investigações demonstram “atuação coordenada, permanente e funcionalmente compartimentada, demonstrando a interdependência entre os investigados e o fluxo de recursos financeiros supostamente destinados à manutenção e ao fortalecimento da organização”.

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Os investigados poderão responder pelo crime de organização criminosa armada, lavagem de dinheiro, corrupção ativa e passiva, violação de sigilo funcional, venda ilegal de combustíveis e formação de cartel, além de outros.

Procurado pelo JOTA, o União Brasil no Rio de Janeiro informou que a defesa de Canella que ainda não teve acesso aos autos.