Moraes autoriza PF a ouvir Flávio Bolsonaro por acusação de calúnia contra Lula

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou nesta terça-feira (7/7) a oitiva do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) no inquérito que investiga suposto crime de calúnia contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

O procedimento deverá ser feito pela Polícia Federal (PF) em até 10 dias. Conforme o Código de Processo Penal, Flávio poderá alinhar previamente o local, o dia e a hora para ser ouvido.

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A decisão do ministro foi dada depois de manifestação da Procuradoria-Geral da República (PGR) defendendo a oitiva. Segundo o órgão, a medida tem relevância, “sobretudo em razão da possibilidade de retratação” de Flávio com Lula, “capaz de isentar o investigado de pena”. Ambos são pré-candidatos à Presidência da República nas eleições deste ano.

No parecer, enviado na última segunda-feira (6/7), o procurador-geral da República, Paulo Gonet, disse que se manifestará sobre o caso após a oitiva de Flávio.

No final de junho, a PF concluiu que Flávio Bolsonaro caluniou Lula em uma postagem nas redes sociais, feita em 3 de janeiro deste ano.

A publicação trazia imagens que associam o petista ao então presidente da Venezuela, Nicolás Maduro. “Lula será delatado. É o fim do Foro de São Paulo: tráfico internacional de drogas e armas, lavagem de dinheiro, suporte a terroristas e ditaduras, eleições fraudadas…”.

Conforme relatório da PF, tendo em vista o teor da postagem associando a imagem de Lula à de Maduro, “que acabara de ser preso, acusado pelos EUA de envolvimento com o tráfico de drogas, alegando que o primeiro seria delatado, fica claro que o Senador afirma que a delação seria feita por Nicolás Maduro, e que, no entendimento do Senador, os crimes pelos quais o Presidente Lula seria delatado estão listados na sequência da postagem, quais sejam, tráfico internacional de drogas e armas, lavagem de dinheiro, suporte a terroristas e ditaduras e eleições fraudadas”.

Moraes abriu a investigação após representação do Ministério da Justiça, com o apoio da Polícia Federal e com parecer favorável da PGR.