Grupo DPSP migra para jornada 5×2 antes de mudança na lei e diz já sentir benefícios

Mesmo antes de qualquer mudança legislativa para estabelecer o fim da escala 6×1, o grupo DPSP (Drogarias São Paulo e Drogarias Pacheco) decidiu migrar, em agosto do ano passado, toda a operação das lojas para o modelo 5×2, mantendo a jornada semanal de 44 horas. A mudança alcançou 1.650 unidades em 12 estados e impactou cerca de 24 mil trabalhadores.

Segundo Sérgio Piza, diretor de gente e gestão da companhia, a decisão foi tomada como parte de uma estratégia de negócio ligada à retenção de talentos, produtividade e qualidade do atendimento. “Somos um hub de saúde e para atender bem o nosso cliente, a gente precisa pensar também na saúde do nosso colaborador”, afirmou em entrevista ao JOTA para o último episódio da série “Além da Jornada: 6×1: Estudos e Impactos Jurídicos”, produzida especialmente para assinantes do PRO Trabalhista. Os episódios reúnem especialistas com diferentes perspectivas sobre os impactos jurídicos, econômicos e sociais das propostas de mudança na jornada de trabalho.

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A implementação da nova escala exigiu meses de estudos e planejamento operacional. O principal desafio, segundo Piza, foi reorganizar a força de trabalho sem aumentar o quadro de funcionários. A DPSP opera lojas com horários distintos — algumas fecham às 23h, outras funcionam 24 horas — e enfrenta diferentes picos de movimento ao longo do dia. Para administrar a distribuição de jornadas, entradas, saídas e intervalos, a empresa passou a utilizar aplicativos específicos de programação de escalas. “Parece simples falar em escala 5×2, mas operacionalmente não é trivial. Você precisa garantir atendimento todos os dias da semana, em horários muito diferentes, para milhares de pessoas”, afirmou.

Apesar da mudança estrutural, a companhia diz não ter ampliado o número de empregados para viabilizar o novo modelo. “Conseguimos fazer a roda girar exatamente com a mesma quantidade de colaboradores”, disse.

Dois meses após a implementação, a companhia realizou uma pesquisa interna para medir a percepção dos empregados sobre a nova escala. Segundo o executivo, a adesão foi majoritariamente positiva. “A grandíssima maioria avaliou que a mudança melhorou a qualidade de vida”, disse. Para o grupo, o impacto sobre o clima organizacional se conecta diretamente à experiência do consumidor. “Atender bem não é só sorrir para o cliente. É resolver o problema dele. Para isso, o colaborador também precisa estar bem”, afirmou.

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Segundo Piza, o equilíbrio financeiro foi alcançado a partir de ganhos indiretos relacionados à gestão de pessoas. “Quando você melhora qualidade de vida, aumenta a atratividade, reduz turnover, diminui absenteísmo e melhora produtividade. Tudo isso impacta o negócio”, afirmou. Embora a empresa não divulgue números consolidados sobre os efeitos da mudança, o executivo afirma que os indicadores internos passaram a apresentar desempenho superior ao mercado.

A experiência da DPSP ocorre em um momento em que a discussão sobre o fim da escala 6×1 ganha espaço no Congresso Nacional. PECs e projetos de lei apresentados nos últimos meses propõem não só o fim da escala 6×1 como a redução da jornada semanal para 40 horas. Piza afirma que o Grupo DPSP está pronto para se adaptar à nova jornada máxima, se assim for estabelecida por lei. “Já fizemos estudos e simulações. O impacto para nós vai ser menor do que para os nossos concorrentes que ainda estão na escala 6×1”

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