Flávio não agrega, Tarcísio não demonstra ‘punch’ e Ratinho Jr. vira opção

Decidida de supetão por Jair Bolsonaro, a pré-candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) ao Planalto começa agora a enfrentar suas limitações por ter desprezado a lógica política segundo a qual projetos presidenciais carecem de construção, elaboração, representatividade e de algum conteúdo programático. Afinal, no horizonte deles, ao menos em tese, deverá estar sempre o interesse público da nação.

Para quem se detém apenas nos números frios das pesquisas ou acredita que somente os Bolsonaros podem derrotar o presidente Lula (PT), a pré-candidatura do senador Flávio é um sucesso até aqui. Ele demonstra competitividade e chances estatísticas de vitória. No entanto, quando analisadas as condições políticas e estruturais da empreitada assumida pelo primogênito da família, o cenário torna-se menos otimista.

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Espremida e peneirada, a pré-candidatura de Flávio entrega de substrato até agora apenas um sobrenome conhecido do eleitor. Para além desse puro suco de polarização, falta a ela projetos, ideais e apoios, seja no mercado financeiro, no setor produtivo, na sociedade e no mundo político.

Ou seja, quase dois meses após ter sido apresentada ao país, em mais uma estratégia disruptiva, um tanto desesperada e arrojada da família, a “invenção Flávio” atropelou processos e acabou aprofundando a divisão no campo da centro-direita, o campo antipetista do eleitorado que quer mudar o comando do país. A avaliação de gente importante é de que ele não é capaz de arrastar o eleitor de “centro” ou de “direita moderada”.

Prova disso é a insistência de players importantes desses setores em estimular o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos-SP) a encarnar uma candidatura presidencial este ano. O reticente Tarcísio, também oriundo do chamado bolsonarismo, tem boa inserção no mercado, no agronegócio e, por conta do cargo que ocupa e do que tem para oferecer a possíveis aliados em sua eventual sucessão no Bandeirantes, possui mais chances de construir uma frente de partidos com amplitude para impor resistência ao favorito Lula já no primeiro turno.

Completando o “checklist” de um projeto presidencial clássico, o governador é bem avaliado e terá como bônus em uma eventual campanha a possibilidade de construir uma narrativa reforçando sua imagem de gestor técnico e de “tocador de obras”, construída desde os tempos em que esteve no Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit).

Porém, nas muitas conversas reservadas travadas ao longo dos primeiros dias deste ano entre agentes importantes do campo antipetista, surgiram algumas reclamações de que falta “punch” (vontade de lutar, em linhas gerais) a Tarcísio.

Quem integra esse grupo passou a enxergar o governador Ratinho Júnior (PSD-PR) como a melhor opção para encabeçar uma candidatura presidencial livre da órbita dos Bolsonaros e com bom trânsito no agronegócio e em outros setores conservadores da sociedade. O projeto conta com aval de Gilberto Kassab, presidente nacional do partido e secretário estadual de Governo de São Paulo. Assim como Tarcísio, Ratinho teria, conforme essa visão, mais capacidade para unir o campo antipetista de centro.

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Kassab, caso Tarcísio rejeite o projeto presidencial, não deve ir com Flávio e tentará materializar um antigo sonho de ter um candidato do PSD a presidente do Brasil. Uma das alternativas colocadas à mesa é atrair Romeu Zema (Novo), governador de Minas Gerais, para o posto de candidato a vice-presidente. Esses três players têm intensificado seus contatos e articulações para colocar em pé uma alternativa a Flávio.

Por conta dessas movimentações, mesmo que novos movimentos arrojados dos Bolsonaros sejam feitos nos próximos dias, ainda é grande o contingente de players que acreditam em uma composição que não tenha Flávio na cabeça da chapa e que possa unir o campo antipetista. Enquanto isso, o primogênito de Jair ganha tempo para tentar ampliar sua pré-candidatura e se fortalecer para negociar algo que contemple os interesses de seu clã.

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