A Federação Brasil da Esperança (PT-PCdoB e PV), do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), acionou o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) contra o PL, de Flávio Bolsonaro, por suposto uso irregular do Fundo Partidário para financiar site que fornece posts prontos para influenciadores. O partido alega que a maioria dos conteúdos disponibilizados promove ataques a Lula, ao PT e a seus aliados e que parte deles são peças de desinformação já reconhecidas pela Justiça Eleitoral.
Na avaliação da federação, o site “Direita Já” possui uma estrutura profissional de produção e distribuição de conteúdo por meio da parceria com os influenciadores.
A plataforma do PL disponibiliza um “Programa de Creators”, com mais de 200 influenciadores. Com essa parceria, o PL promete 50 milhões de visualizações nos conteúdos feitos pelo partido e disponibilizados no site.
Segundo a federação do PT, o material inclui deep fakes e conteúdos que associam Lula ao PCC, ao Comando Vermelho e ao narcotráfico — teses que o próprio TSE já reconheceu como desinformação em decisões anteriores e que estão presentes no repositório de enfrentamento à desinformação eleitoral.
De acordo com a representação enviada ao TSE, a produção de conteúdo é diária, com 30 a 50 peças semanais. O site foi registrado em 2025 e, somente em 2026, o PL teria injetado mais de 1.600 publicações, que alcançaram mais de 50 milhões de usuários.
“Fator que denota o Direita Já como relevante para a estratégia comunicacional do Partido Liberal — recebendo, por óbvio, a atenção e o investimento financeiro da sigla — é a divulgação expressa feita por três de seus parlamentares de maior expressão virtual, um dos quais é pré-candidato à Presidência da República: Flávio Bolsonaro, Gustavo Gayer e Nikolas Ferreira”, diz outro trecho do documento.
Na avaliação da federação, a estrutura cria um impulsionamento indireto e disparo em massa.
“Em síntese, substitui-se o mecanismo tradicional de compra de anúncios junto ao provedor de aplicação por uma rede paralela de distribuição coordenada, que produz efeito de alcance e repercussão artificialmente amplificado — até mesmo superior ao de campanhas pagas de mídia —, sem se submeter a nenhum dos controles de transparência, rotulagem e responsabilização que a Justiça Eleitoral exige do impulsionamento regular.”
A federação requer que o TSE determine ao PL que preserve todos os contratos, notas fiscais e dados sobre o financiamento do site, que identifique influenciadores e colaboradores envolvidos na produção do conteúdo e explique a fonte dos recursos financeiros usados no site.
Pede também a suspensão imediata dos materiais já reconhecidos como desinformação pelo TSE e a proibição de qualquer novo impulsionamento pago enquanto o processo tramita.

