Déficit dos Correios: há solução

Não há como negar que um déficit superior a R$ 3 bilhões, num único trimestre, seja assustador. Menos mal que cerca de um terço desse valor refira-se a despesas com contingências, e isso significa que elas não necessariamente irão impactar o caixa no curto prazo.

E segundo os auditores independentes, o valor dessas contingências pode estar calculado para mais ou para menos. É preciso que os administradores dos Correios revisem isso criteriosamente.

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Independentemente disso, é improvável que os empréstimos bilionários concedidos por um grupo de bancos sejam pagos, mesmo se considerarmos o longo prazo. O mais provável é que a perda fique com o Tesouro – ou seja, em última instância, com os contribuintes.

Como em qualquer empresa, a solução para a crise financeira dos Correios passa, necessariamente, por dois caminhos: aumento de receita e redução de custos; porém, não nessa ordem de prioridade.

O aumento de receita é necessário, mas é um processo longo e depende de fatores mercadológicos, como concorrência, serviços de qualidade, precificação competitiva entre outros. A transição para “uma plataforma de serviços moderna, ágil e integrada à economia digital”, numa empresa desse porte e dessa complexidade, requer muito tempo e muito investimento em tecnologia e qualificação da pessoa.

Portanto, a prioridade zero dos Correios é reduzir custos. Mas não reduções cosméticas ou marginais, reduções enormes. Não é só uma questão de competência para identificar ociosidade, atividades que não agregam valor, atividades desnecessárias etc. Mais que isso, é preciso coragem e determinação da alta administração para tomar decisões desse porte. O problema maior não é saber o que fazer, mas ter coragem para fazer.

Para reduzir custos dessa monta, algumas perguntas precisam ser respondidas: os custos de administração estão adequados? Onde estão as ociosidades de imóveis, máquinas, pessoas e outros? Onde estão sendo realizadas atividades em duplicidade? Nas agências? Nas dependências administrativas? Quais fornecedores estão repassando suas ineficiências para os Correios, via preços de bens e serviços?

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A resolução desses problemas só será possível se for adotado um modelo de gestão norteado pela lógica de empresas privadas, que, ao que parece, não é o caso dos Correios hoje.

Daí a conclusão lógica: a menos que a sociedade brasileira aceite, pacificamente, continuar pagando por prejuízos enormes e recorrentes, a única solução é desestatizar – ou privatizar de vez. Mas isso é pouco provável de acontecer nas circunstâncias atuais.