Cadê Tereza Cristina?

Nas últimas semanas, a campanha de Flávio Bolsonaro (PL) mal consegue se recuperar de uma crise e lá vem outra: Dark Horse; briga com a madrasta; retomada do tarifaço; e, agora, uma foto ao lado do sicário de Daniel Vorcaro. Ainda que ele siga sendo o único candidato competitivo contra Lula (PT), cresce entre setores produtivos e alas do mundo político o sentimento de fragilidade da campanha do PL.

Há uma avaliação de que, a partir de agosto, quando se encerrar o prazo para o registro de candidaturas, Flávio pode murchar. Diante de uma lista de disputas internas, é difícil distinguir o que é torcida, fogo amigo ou efetivamente algo concreto, mas há o temor de que surjam novas informações capazes de ferir de morte a candidatura.

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Uma desistência de Flávio, contudo, é considerada impossível. Até porque quem pode tirá-lo da disputa não são Lula, Vorcaro ou a Polícia Federal, mas apenas Jair Messias Bolsonaro. Preso e sem acesso ao próprio filho, ele não deve abrir mão de manter o espólio eleitoral no clã, como já demonstrou repetidas vezes.

Fato é que Flávio deve chegar ainda mais fragilizado à sua convenção, possivelmente sem o apoio de outros partidos. O cenário ampliou o desespero na busca por um nome competitivo e, portanto, a pressão para que a senadora Tereza Cristina (PP-MS) aceite a empreitada e dispute a Presidência da República.

O nome da ex-ministra da Agricultura era sempre lembrado quando se trata de uma vaga de vice. Primeiro em 2022, com Bolsonaro; no ano passado, quando a chapa cogitada era Tarcísio-Tereza; e neste ano, quando cogitaram Flávio-Tereza. Como cabeça de chapa, porém, os caciques nunca levaram a sério essa possibilidade.

Nas últimas semanas, porém, aliados de centro-direita e políticos que apoiam Flávio Bolsonaro passaram a insuflar a senadora como cabeça de chapa. Ela tem bom trânsito com partidos de centro, dialoga com o governo e é respeitada pelas diferentes alas do bolsonarismo, do agro a Michelle Bolsonaro — que, aparentemente, agora constitui um novo núcleo desse heterogêneo grupo político.

A senadora, contudo, resiste às investidas. Tereza se queixa de ser lembrada agora, aos 45 do segundo tempo, quando a classe política de centro vê murchar a candidatura de Flávio. Foi secretária estadual, deputada, ministra e senadora. Não é de entrar em aventuras.

Além disso, lançar-se contra um candidato escolhido por Bolsonaro significa colocar um alvo nas costas diante das redes bolsonaristas, que não perdoam quem sai do script.

Em maio, quando estourou a crise envolvendo Dark Horse e a relação de Flávio com Vorcaro, um aliado da senadora e do pré-candidato ligou para Tereza, num apelo para que ela assumisse a empreitada. A senadora retrucou: “Agora? Vá você”. Na hora de construir um acordo e viabilizar seriamente sua candidatura, os partidos não se levantam. Na direita, querem uma mulher para ocupar o cargo de vice.

Quanto a esse posto, ainda em aberto no palanque de Flávio Bolsonaro, a proximidade de Eduardo Bolsonaro e Paulo Figueiredo com a campanha afasta a senadora, que já foi alvo da dupla no passado. Além disso, os crescentes ataques a Michelle tornam pouco atrativo o posto para qualquer candidata que queira se aventurar.

Lideranças da federação União Progressistas, da qual faz parte o PP de Tereza, também afastam a possibilidade de que ela se lance ao Palácio do Planalto. Há pouco tempo hábil para viabilizá-la e, além disso, o gasto não seria pequeno, num cenário em que a prioridade é fazer a maior bancada possível.

Tereza, que ainda tem quatro anos de mandato, não esconde que o cargo que gostaria de ocupar é o de presidente do Senado — cadeira nunca ocupada por uma mulher. A aliados, ela traça os caminhos de sua campanha no Salão Azul no próximo ano: defende que é necessária maior harmonia entre os Poderes. A senadora quer deixar de lado as lacrações e apaziguar os ânimos de lado a lado — um discurso que pode ser pouco apelativo se a Casa ficar mais bolsonarista.

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Ela não pretende fugir do embate que deve ocupar as tribunas no próximo ano. É contrária ao impeachment de ministros do Supremo, mas tampouco obstruiria uma discussão.

Diante de um cenário de adversidades para a direita em 2026, com múltiplas candidaturas e nenhuma delas, até o momento, demonstrando fôlego para derrotar Lula, políticos e empresários estão às voltas em busca de uma solução. Tereza, por sua vez, segue no Salão Azul, de olho em 2027.