BC decreta liquidação de Banco Pleno e da Pleno DTVM, geridos por ex-sócio de Vorcaro

O Banco Central (BC) decretou nesta quarta-feira (18/2) a liquidação extrajudicial do Banco Pleno S.A. e da Pleno Distribuidora Títulos e Valores Mobiliário S.A., empresas que faziam parte do mesmo conglomerado financeiro. A liquidação foi adotada após o agravamento da situação econômico-financeira da instituição.

As instituições faziam parte do grupo do Banco Master e foram vendidas em 2025 ao empresário Augusto Lima, ex-sócio de Daniel Vorcaro. De acordo com a autarquia, “a liquidação extrajudicial foi motivada pelo comprometimento da situação econômico-financeira da instituição, com deterioração da situação de liquidez, bem como por infringência às normas que disciplinam a sua atividade e inobservância das determinações do Banco Central do Brasil”.

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Segundo informações da autoridade monetária, o conglomerado é de porte pequeno e se enquadra no segmento S4 da regulação prudencial, tendo como instituição líder o Banco Pleno. O conglomerado detém 0,04% do ativo total e 0,05% das captações totais do Sistema Financeiro Nacional (SFN).

O Banco Central afirmou em nota que continuará “tomando todas as medidas cabíveis para apurar as responsabilidades nos termos de suas competências legais”. As investigações podem levar a sanções administrativas e ao envio de informações a outras autoridades competentes, conforme prevê a lei.

Com a liquidação, ficam indisponíveis os bens dos controladores e dos administradores da instituição.

Ex-sócio de Vorcaro

Augusto Lima construiu sua trajetória no sistema financeiro a partir do crédito consignado e se tornou sócio de Daniel Vorcaro em 2019 no Banco Master. Em agosto de 2025, o Banco Central aprovou a transferência de controle societário para Lima, que deixou a sociedade no Master e assumiu o controle do Banco Voiter, que integrava o grupo.

Com a compra, o ex-sócio de Vorcaro mudou o nome do banco para Pleno e fez dois aportes de capital na instituição, que somam R$160 milhões.

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Lima e Vorcaro foram presos em novembro do ano passado, no dia em que o Banco Central determinou a liquidação do Banco Master. Eles foram soltos por decisão da Justiça cerca de duas semanas depois.

A investigação, aberta para apurar suspeitas de irregularidades em carteiras de crédito vendidas pelo Master ao Banco de Brasília, apontou que Augusto Lima criou duas associações de servidores da Bahia usadas pelo Master como primeiras originadoras das carteiras supostamente fraudadas negociadas com o BRB em março do ano passado.