A diretoria colegiada da Anvisa decidiu em reunião extraordinária realizada nesta sexta-feira (15/5), por unanimidade, manter o veto à fabricação, distribuição, comercialização e uso dos produtos listados na RE 1.834/2026. A resolução abrange lotes terminados em 1 de lava-louças, lava-roupas e desinfetantes da Ypê por conta de risco sanitário na Química Amparo, empresa que fabrica os produtos.
O caso, que teve ampla cobertura midiática, se deu pela avaliação de risco por contaminação da bactéria Pseudomonas aeruginosa nos produtos. A Ypê havia apresentado recurso administrativo após a publicação da RE, o que suspendia automaticamente os efeitos da resolução até análise do colegiado — mecanismo previsto na RDC 266/2019.
O processo teve a relatoria do diretor-presidente da agência, Leandro Safatle. Os diretores ainda decidiram, também por unanimidade, manter o efeito suspensivo na determinação de recolhimento dos produtos. Essa decisão está condicionada à apresentação pela Química Amparo de um plano de ação para a mitigação de riscos.
Em seu voto, Safatle destacou que a Amparo já foi alvo de ações sanitárias anteriores relacionadas a contaminação microbiológica de seus produtos, com resoluções em 2008, 2024 e 2025. Destacou que o caso em julgamento começou com denúncia na plataforma Fala.br, e teve prosseguimento com uma inspeção da Anvisa na empresa.
“Não se trata de um problema isolado, mas de um conjunto de evidências técnicas que indicam falhas no controle do processo de fabricação, comprometendo a segurança e confiabilidade dos produtos colocados no mercado”, destacou Safatle. Segundo o voto, o controle de qualidade da empresa não foi capaz de identificar e segregar os lotes contaminados. “O sistema, além de não prevenir a contaminação, também falhou após detectá-la, não identificando e tratando adequadamente, configurando risco potencial de produtos contaminados virem a ser comercializados”.
Empresa afirma cooperar
A sessão contou com a sustentação oral do advogado Omar José Amazonas, representante da Ypê. Segundo ele, a companhia pretende caminhar de forma conjuta com a Anvisa no processo e vem tomando medidas voluntárias de segurança. “Apesar do efeito suspensivo, a Ypê, por mera liberalidade, parou a operação fabril. Isso, por si só, diz bastante coisa”, sustentou.
Sobre o recolhimento dos produtos, afirmou que é uma medida com efeitos graves: “Possui ampla repercussão social. O consumidor vai ser atingido de forma direta pelo recolhimento compulsório. A verdade é que, o consumo… quando você tem uma relação muito grande de produtos, estamos falando aqui de 400 mil unidades, a pressa acaba por levar a inúmeras desinformações”.
Diretores mencionam repercussão
Em suas manifestações, os outros diretores da Anvisa fizeram menção à ampla repercussão do caso. “Em decorrência da ação e diante da ampla utilização e popularização desses produtos no mercado brasileiro, instaurou-se uma discussão polarizada que não reflete a motivação dessa agência”, afirmou Daniela Marreco Cerqueira, ao acompanhar o voto do relator.
O diretor Daniel Pereira também se manifestou sobre o assunto. “Não pautamos e nunca pautaremos nossas ações por critérios políticos, mas pela missão institucional da agência e pela responsabilidade que temos perante a nossa sociedade”, disse.
Processo: 25351.940166/2025-78 (Sei) e 25351.077777/2026-51 (Datavisa)

