O sucesso da transmissão da Copa por streaming na internet teve um efeito inesperado: a indignação de parte do público com o excesso de propagandas de bets nas exibições.
O desgaste levou o governo a planejar um endurecimento contra as apostas, consideradas um grande problema por 72% dos brasileiros, segundo pesquisa de abril da consultoria MDA.
Na corrida eleitoral, Lula e Flávio estagnaram no mesmo patamar, segundo a quinta rodada da pesquisa BTG/Nexus divulgada hoje (29).
As intenções de voto não parecem ter sido afetadas pelos acontecimentos recentes que tinham potencial negativo para os dois principais candidatos — as brigas na família Bolsonaro e o envolvimento do petista Jaques Wagner no caso Master.
E hoje começa o mata-mata da Copa para o Brasil, com o jogo contra o Japão no Estádio de Houston.
Boa leitura e bom jogo!
O PONTO CENTRAL
1. Fecha o cerco
O governo Lula (PT) prepara novas ações contra as bets em meio à pressão que surgiu nas redes sociais durante a Copa do Mundo, Fábio Pupo e Karol Bandeira revelam no JOTA.
- As medidas podem incluir multas e outras penalidades contra empresas que descumprirem normas de publicidade, além de uma medida provisória para ampliar obrigações do mercado.
- Entre as regras discutidas também está a exigência de mensagens de advertência ao final de cada peça publicitária.
- Mesmo em missão à China, o ministro da Fazenda Dario Durigan participou na sexta (26) de uma reunião para debater as possíveis novas restrições.
- Integrantes do governo estão preocupados com o discurso, impulsionado por setores da oposição, de que o presidente Lula e o então ministro da Fazenda Fernando Haddad permitiram a consolidação das bets em troca de aumento da arrecadação.
- Neste ano, Lula afirmou que, por ele, as bets seriam fechadas no Brasil. Apesar disso, integrantes do governo dizem que uma medida extrema como essa deveria ser tratada pelo Congresso Nacional.
⚽ Panorama A reação popular tem sido catalisada pela Cazé TV, canal no YouTube que transmite gratuitamente no Brasil todos os jogos da Copa do Mundo — as exibições são acompanhadas de propagandas recorrentes de bets.
- A situação tem alimentado pedidos na internet por mais restrições ao setor e até pela proibição das empresas de apostas.
UMA MENSAGEM DA TAKEDA BRASIL
Especialistas debatem inovação e sustentabilidade na saúde

A sustentabilidade e a eficiência da saúde dependem da revisão de bases de financiamento. O assunto esteve em discussão na 6ª edição do Blueprint for Success Brazil Summit 2026, promovido pela farmacêutica Takeda Brasil, em São Paulo.
Painelistas falaram que:
- o setor precisa rediscutir o modelo de financiamento do SUS, de modo que os recursos sejam distribuídos de forma mais equilibrada, considerando o grau de fragilidade e as necessidades específicas de cada região;
- na saúde suplementar, o debate chamou a atenção para os gargalos do modelo tradicional de remuneração que prioriza o volume de procedimentos realizados, o que gera distorções no sistema.
Como consequência, os formatos atuais fomentam o desperdício e a baixa qualidade da assistência.
2. Platô

A quinta rodada da pesquisa BTG/Nexus, divulgada hoje (29), indica poucas mudanças no cenário eleitoral, com Lula mantendo a liderança no primeiro turno, Daniel Marcelino analisa no JOTA PRO Poder.
- O presidente Lula manteve 42% das intenções de voto, enquanto o senador Flávio Bolsonaro oscilou de 33% para 34%.
- A distância entre os dois passou de nove para oito pontos percentuais, preservando a vantagem do presidente, mas interrompendo o movimento de ampliação observado nas últimas rodadas.
- Os números reforçam que a disputa continua concentrada entre Lula e Flávio Bolsonaro, responsáveis por 76% das intenções de voto.
- Nas simulações de segundo turno, Lula continua à frente de todos os adversários testados, embora com uma margem menor diante de Flávio Bolsonaro.
- Lula aparece com 47% das intenções de voto no segundo turno contra Flávio Bolsonaro, que tem 44%.
3. Na escuta

Um mês depois de chegar ao Senado, a PEC que prevê o fim da escala 6×1 começa a ser discutida oficialmente, ainda que não esteja tramitando, Marianna Holanda e Maria Eduarda Portela escrevem no JOTA PRO Poder.
- Os deputados petistas Reginaldo Lopes e Erika Hilton tentam destravar a votação em reunião com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, na quarta (1º).
- Na sequência, o plenário da Casa realiza uma audiência pública para tratar dos impactos sociais, econômicos e produtivos da proposta.
- Estão previstas falas de ministros, representantes sindicais e entidades patronais.
Sim, mas… O PT queria votar a proposta antes do recesso da segunda quinzena de julho, mas Alcolumbre sequer despachou a matéria para a Comissão de Constituição e Justiça.
4. No limite

Os ministros do STF formaram maioria para liberar o pagamento de parte dos penduricalhos a juízes, promotores e procuradores, que foram vetados em março pela Corte, Flavia Maia escreve no JOTA.
- Em março, a Corte definiu que as verbas indenizatórias não poderiam ultrapassar 35% do teto constitucional, que hoje é de R$ 46.366,19, o salário de um ministro do STF. Pela maioria dos votos, essa limitação continua valendo.
- No entanto, o Supremo autorizou novos pagamentos que são permitidos acima desse valor, como o extra por plantão judiciário e bonificação por antiguidade na carreira.
- Os valores também ficam limitados a 35% do teto. Ou seja, a soma das vantagens pode chegar a 70% do valor do teto.
- Os ministros seguiram o voto conjunto apresentado pelos relatores Flávio Dino, Gilmar Mendes, Alexandre de Moraes e Cristiano Zanin.
⏩ Pela frente Embora a maioria já esteja formada, o debate está em plenário virtual até amanhã (30).
5. Uni, duni, tê

O presidente do STF Edson Fachin propôs que todas as ações envolvendo o tema do Marco Temporal das Terras Indígenas no STF sejam votadas conjuntamente, Flavia Maia escreve no JOTA PRO Poder.
- Fachin paralisou o julgamento de recursos nas ações de relatoria do ministro Gilmar Mendes na sexta (26).
👀 Bastidores Por trás dessa decisão está a tentativa de uniformizar o entendimento do tema, especialmente sobre as indenizações — e, dessa forma, evitar manobras judiciais.
- O Supremo observou um movimento de advogados de ajuizar recursos e pedidos incidentais nas ações de Gilmar Mendes para evitar o fim dos processos enquanto a ação de relatoria de Edson Fachin ainda tramita.
- Na ação de Gilmar, os critérios para a indenização ficaram mais flexíveis do que na proposta do recurso de Fachin, o que agradou mais setores do agronegócio.
- Por outro lado, o governo e movimentos indigenistas têm se mostrado preocupados com os critérios mais flexíveis de indenização — pelos custos e maior dificuldade de demarcação das terras indígenas.
🔮 O que observar O objetivo da presidência é que na próxima sessão virtual, em agosto, os ministros busquem um consenso real sobre o tema para tentar alguma segurança jurídica no assunto.
6. Visita curta

O presidente Lula participa amanhã (30) da 68ª Cúpula do Mercosul, em Assunção, no Paraguai, Luísa Carvalho escreve no JOTA PRO Poder.
- O presidente participará da reunião de chefes de Estado e do almoço oficial e retornará ao Brasil ainda durante a tarde, sem reuniões bilaterais confirmadas.
- Um dos anúncios esperados no evento é o aumento da contribuição brasileira ao Fundo para a Convergência Estrutural do Mercosul (Focem), compromisso assumido por Lula na última cúpula.
- Também está previsto o reconhecimento da Carteira de Identidade Nacional (CIN) como documento válido para circulação no bloco.
- O lançamento das negociações de um acordo comercial entre Mercosul e Japão é outra expectativa para o evento.
AGENDA BSB
7. Recesso judiciário e mais
- Os tribunais superiores e os tribunais federais começam as férias coletivas de julho, com suspensão de prazos, a partir de quarta (1/7). No STF, a presidência durante o recesso fica dividida entre Edson Fachin, (de 1 a 15), e Alexandre de Moraes (de 15 a 31).
- Antes da pausa, deve ser concluído o julgamento da Lei de Improbidade Administrativa. Ao todo, 16 itens da lei foram questionados. As ADIs foram propostas pelo PSB, pela Confederação Nacional dos Servidores e Funcionários Públicos das Fundações, Autarquias e Prefeituras Municipais (CSPM) e pela Associação Nacional dos Membros do Ministério Público. Os relatores são André Mendonça e Alexandre de Moraes.
- O governo lança hoje (29) uma nova fase do Desenrola, voltada a pessoas adimplentes. Também está no radar o lançamento de medidas voltadas aos 3 milhões de MEIs que atualmente têm pendências junto ao poder público, com dívida média de cerca de R$ 4 mil
- As lideranças partidárias da Câmara se reúnem amanhã (30) para discutir a pauta da Casa. Entre os projetos que precisam de construção de consenso está o PL da Misoginia, relatado pela deputada Tabata Amaral (PSB-SP). Além disso, a bancada ruralista pressiona para que o presidente Hugo Motta (Republicanos-PB) dê andamento ao projeto de dívidas rurais.
- O PL que obriga o presidente da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) a depor ao Senado semestralmente pode ser enviado à Câmara sem passar pelo plenário do Senado. O projeto é analisado em regime terminativo pela Comissão de Assuntos Econômicos do Senado, o que permite a tramitação extra rápida.
- A comissão especial da Câmara pautou para a quinta (2/7) a análise e votação da PEC que aumenta os repasses da União ao Fundo de Participação dos Municípios (FPM) e cria novos fundos para desenvolvimento regional. O projeto está na lista de pautas-bomba do governo federal, que tenta evitar a votação. O impacto estimado é de R$ 10 bilhões no primeiro ano.

