Sob ameaça de 25% de tarifa dos EUA, Brasil tem prazo de mais um mês para negociar

Agora sob a ameaça explícita de ser punido com tarifa de 25% sobre os produtos que exporta aos Estados Unidos, o Brasil tem mais um mês para negociar com os norte-americanos a relação. Esta é a mensagem principal do relatório preliminar da investigação comercial sob a seção 301, que ainda estabelece um cronograma para o processo de consultas aberto na mesma ocasião, como antecipou o JOTA.

O documento marca para o dia 6 de julho uma audiência pública para ouvir o setor privado sobre as considerações do Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) sobre o que enumera como práticas desleais de comércio por parte do Brasil, entre elas o que chamam de favorecimento a serviço locais de pagamento, o PIX, e o tratamento concedido a big techs.

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Uma espécie de força-tarefa do governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT) está sendo criada para mobilizar os canais de diálogo com os EUA após a nova ameaça. A ideia é que o ministro da Fazenda, Dario Durigan, converse com o secretário de Tesouro americano, Scott Bessent, e que o ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, Marcio Rosa, fale com seu contraparte, o secretário de Comércio, Jamieson Greer.

Os argumentos sobre os itens que consideram como “irrazoáveis” não parecem ter mudado desde o início da investigação aberta em julho passado, a despeito das negociações entre as equipes técnicas dos dois lados, o que confirma a suspeita de interlocutores do governo brasileiro ouvidos pelo JOTA de que se trata de processo político e, muito provavelmente, um jogo de cartas marcadas.

Para garantir participação na audiência pública, empresas e representantes de setores interessados devem enviar seus pedidos de comparecimento, juntamente com um resumo do depoimento, até 22 de junho de 2026. Os comentários por escrito deverão ser enviados até 1º de julho de 2026.

Ainda não está claro o impacto potencial da nova tarifa, caso seja aplicada, sobre a pauta de exportações brasileiras. Os setores começam a fazer contas agora. A estimativa é que recaiam sobre o mesmo universo de bens que haviam sido taxados em 40% até fevereiro, quando a Suprema Corte americana derrubou o tarifaço de Trump.

De olho nos índices de inflação que derrubaram a popularidade do Republicano, uma lista com 73 páginas de itens que estariam isentos poupa carnes, café, entre outros, além de minerais críticos e terras raras, uma das prioridades do governo americano.

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“As isenções propostas incluem matérias-primas que, se sujeitas às tarifas adicionais propostas, poderiam levar à indisponibilidade do fornecimento interno. Incluem também produtos que poderiam causar perturbações em toda a economia se sujeitos às tarifas adicionais propostas; e certos produtos que não podem ser cultivados ou produzidos em quantidades suficientes nos Estados Unidos ou obtidos de outras fontes”, diz o documento.

Estão nesta relação ainda materiais informativos, doações, bagagem acompanhada, todos os artigos e partes de artigos sujeitos às tarifas da seção 232 e certos produtos identificados no Anexo.