Em busca do total engajamento de Tarcísio de Freitas (Republicanos) em sua campanha para presidente, Flávio Bolsonaro (PL) tem sinalizado ao grupo do governador de São Paulo com promessas que vão além do fim da reeleição, medida considerada de baixa viabilidade política. Na mais atrativa delas, Tarcísio, em caso de vitória do senador, poderia indicar até dois ministros para o Supremo Tribunal Federal (STF).
As conversas entre interlocutores de Flávio e de Tarcísio já envolvem nomes que seriam indicados para a Corte, com aval do governador, em caso de vitória do senador. O advogado Marcos Pereira, deputado federal por São Paulo, pastor da Igreja Universal e presidente nacional do Republicanos, é um dos mais cotados, junto com Natália Resende, atual secretária de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística do governo paulista. Ambos também são citados para uma futura Esplanada.
Compõem ainda a lista Jorge Oliveira, ministro do TCU (Tribunal de Contas da União), e Arthur Lima, ex-secretário do governo Tarcísio e atualmente no Tribunal de Contas do Estado (TCE). Segundo apurou o JOTA, os quatro nomes discutidos até agora contam com a simpatia de Flávio, mas ainda precisam ser avaliados em conjunto com o pai do candidato, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
No caso de Pereira, o aceno de uma indicação ao STF facilitaria não apenas o engajamento total de Tarcísio na campanha, mas também um apoio formal do Republicanos a Flávio em um eventual segundo turno contra Lula. Até agora, o partido mantém “neutralidade” na campanha presidencial.
Na última segunda-feira (28/9), Flávio e Tarcísio estiveram juntos em agendas de campanha em São Paulo. O governador afirmou que poderá viajar pelo país para ajudar o presidenciável se houver segundo turno na disputa pela Presidência.
Segundo Tarcísio, o Republicanos deve abandonar a neutralidade adotada oficialmente na eleição presidencial para apoiar Flávio caso a disputa chegue ao segundo turno. O governador afirmou já ter conversado sobre o assunto com Marcos Pereira.
Durante uma caminhada no centro da capital paulista, Tarcísio e Flávio levantaram uma imagem de Nossa Senhora Aparecida em meio ao intenso debate religioso entre católicos e evangélicos que tem marcado esta reta final do primeiro turno.
Vagas a serem preenchidas
O próximo presidente da República deverá indicar, além da vaga de Luís Roberto Barroso, ainda não preenchida, os substitutos de Luiz Fux, Cármen Lúcia e Gilmar Mendes. Há também a possibilidade de o Senado, a depender da nova composição da Casa a partir de 2027, levar adiante o impeachment de ministros da Corte, o que abriria novas cadeiras.
O “pacote” oferecido a Tarcísio para que o governador “mergulhe na campanha”, conforme interlocutores de Flávio, também contemplaria, segundo apurou o JOTA, o controle de ministérios, estatais e autarquias. A ideia é abrigar o grupo político do governador na estrutura federal e transformá-lo, assim, em voz ativa em uma eventual gestão de Flávio.
Nos bastidores da política paulista, a avaliação é de que não interessa a Tarcísio uma vitória de Flávio, pois o filho de Jair Bolsonaro, ao contrário de Lula, poderá concorrer à reeleição em 2030, algo vetado ao petista, que estará em seu segundo mandato consecutivo. O governador de São Paulo, apesar de suas negativas públicas, chegou a se colocar como um presidenciável para este ano, mas foi preterido pelo ex-presidente na indicação de seu filho mais velho.
Flávio prometeu publicamente trabalhar pelo fim da reeleição no Brasil. Essa seria, conforme aliados e interlocutores do senador e do governador, a senha para Tarcísio se empenhar de imediato na campanha porque, em 2030, ele poderá concorrer ao Planalto com o apoio da família Bolsonaro.
Segundo apurou o JOTA, porém, ainda não há segurança dentro do círculo mais próximo ao governador de que essa promessa será cumprida, principalmente porque as circunstâncias políticas e o cenário podem mudar em quatro anos.

