Força eleitoral de Lula ainda é insuficiente para criar ‘onda vermelha’ nos estados

Concluída mais uma rodada regional da pesquisa Genial/Quaest, os candidatos a governador do campo da oposição ao presidente Lula (PT) apresentam amplo favoritismo neste momento em quatro dos nove maiores colégios eleitorais do país (SP, PR, MG e CE). A disputa está acirrada, com empate técnico na margem de erro, em outros três (RS, BA e PA).

Mais precisamente, nos nove maiores colégios eleitorais brasileiros, apenas um candidato a governador apoiado publicamente por Lula ocupa a primeira posição isolada nas pesquisas: Eduardo Paes (PSD), no Rio de Janeiro.

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No entanto, quando as pesquisas tratam da eleição presidencial, o cenário é amplamente favorável a Lula — que lidera, de maneira isolada, os levantamentos de intenção de voto em quatro desses estados (BA, CE, PA e PE) e está empatado tecnicamente (dentro da margem de erro) com seu principal adversário, Flávio Bolsonaro (PL), em outros quatro (MG, RJ, RS e SP).

O presidente, em busca da reeleição, só aparece atrás de Flávio Bolsonaro em um estado (PR). Em outros termos, a candidatura presidencial de Lula vai muito bem em oito dos nove maiores colégios eleitorais do país, o que confirma seu favoritismo para ser reeleito. Porém, candidatos a governador apoiados pelo presidente, ao menos até agora, não conseguem usufruir de todo o prestígio eleitoral dele.

Não por outro motivo, a direção nacional do PT e o comando das campanhas regionais nos estados, segundo apurou o JOTA, pretendem intensificar, a partir de agora, o vínculo dos candidatos apoiados por Lula com o presidente. A ideia é “criar uma onda vermelha de centro-esquerda ou uma onda Lula”, nas palavras de um dirigente petista. 

Esse movimento é considerado uma via de mão dupla, pois a intenção é que os postulantes aos governos estaduais também alavanquem ainda mais o projeto nacional do partido. “Quem vota no Lula, vota nos candidatos do Lula”, afirmou ao JOTA Emídio de Souza, um dos coordenadores das campanhas petistas em São Paulo.

Três exemplos claros de “dissonância” entre os votos para presidente e governador são os  estados de São Paulo, Minas Gerais e Ceará, onde a maioria disparada dos entrevistados demonstra preferência por candidatos a governador que, no plano nacional, fazem oposição a Lula, enquanto o presidente aparece bem posicionado na corrida nacional.

Em São Paulo, o maior colégio eleitoral do país, Lula, segundo a pesquisa, pode obter um bom resultado se voltar a vencer no estado, o que não acontece desde 2002. Fernando Haddad (PT), seu candidato a governador, no entanto, corre o risco de ser derrotado já no primeiro turno por Tarcísio de Freitas (Republicanos). No Ceará, o presidente tem 55% das intenções de voto, mas o governador Elmano de Freitas (PT) patina atrás de Ciro Gomes (PSDB).

“Os estados têm a sua dinâmica própria, a sua política própria, o seu jeito de ser. Em São Paulo, por exemplo, o interior é a cara da direita, que agora está com Tarcísio, enquanto na capital o cenário oscila mais”, observa o cientista político Carlos Melo, professor do Insper e um dos mais respeitados analistas eleitorais.  Segundo ele, a atual eleição não terá característica disruptiva e não se baseará exclusivamente em planos ou projetos de país. “Logo, não deverá ser capaz de conduzir sozinha os estados”.

Na Bahia, no Pará e no Rio Grande do Sul, onde Lula também lidera, há empate técnico entre os nomes ligados a ele e os de oposição. Em todos esses casos, a ordem é “colar” a imagem dos candidatos a governador de centro-esquerda na do presidente. “É uma aposta arriscada.  “A federalização das campanhas costuma ocorrer em condições muito específicas, como em 1994, por exemplo, a favor e na euforia do Plano Real”, diz Melo. 

No segundo maior colégio eleitoral, Minas Gerais, Lula está empatado tecnicamente com Flávio, mas seu candidato ao governo, Patrus Ananias (PT), ainda não decolou. Contudo, nesse caso, o cenário ainda está indefinido por conta do veto do Republicanos a Cleitinho Azevedo, o líder das pesquisas. Se ele ficar fora, a candidatura do PT pode ter boa chance de crescer.

Outro dado importante é que nenhum candidato a governador pelo PT ocupa neste momento a liderança isolada nas pesquisas nos nove maiores colégios eleitorais do país. O melhor desempenho nesse sentido é o de Rui Costa, na Bahia, empatado tecnicamente com ACM Neto (União-PP), mas atrás numericamente.

Em Pernambuco, João Campos (PSB-PE), o candidato “oficial” do presidente, está em segundo nas pesquisas, mas Raquel Lyra (PSD-PE), a líder isolada, não pode ser considerada de oposição e tem promovido cada vez mais gestos de aproximação na direção do PT e de Lula.

“No Ceará e na Bahia, talvez haja um esgotamento dos governos petistas. O Paraná tem um forte candidato no estado, que é o Sérgio Moro. Desde a Lava Jato, ele se colocou como um nome nacional. Porém, é preciso observar que Lula parece estar retomando alguns estados que ele havia perdido ou, dito de outra maneira, o Rio de Janeiro parece estar deixando de ser controlado pelo bolsonarismo”, resume Carlos Melo.

Fora do ranking

A mais recente rodada de pesquisas estaduais da Quaest também aferiu as intenções de voto em Goiás, que ocupa a 12ª posição no ranking nacional dos maiores colégios eleitorais do Brasil. No estado da região Centro-Oeste, historicamente refratária ao PT, o presidente aparece mal nas pesquisas.

O ex-governador Ronaldo Caiado (PSD) tem 33% das intenções de voto em Goiás, seu estado, enquanto Flávio aparece com 27%. Lula tem 23%. Considerando a margem de erro de três pontos percentuais, os candidatos de oposição ao presidente estão no limite do empate técnico na liderança.

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Apoiado por Caiado, o atual governador Daniel Vilela (MDB) lidera os cenários de primeiro turno com 37% das intenções de voto, seguido por Marconi Perillo (PSDB), com 21%. Wilder Morais (PL) aparece em terceiro, com 11%.

Neste ano, os nove maiores colégios eleitorais do país, em ordem decrescente, são, segundo o TSE: São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro, Bahia, Paraná, Rio Grande do Sul, Pernambuco, Ceará e Pará. Santa Catarina ocupa a décima posição, mas o estado não fez parte desta rodada mais recente da Quaest.

Veja os cenários eleitorais nos estados pesquisados:

Lula na liderança

  • Bahia: o presidente lidera com 52% das intenções de voto no primeiro turno. Flávio Bolsonaro tem 18% e Caiado, 3%. Cabo Daciolo (Mobiliza), Augusto Cury (Avante), Renan Santos (Missão), Romeu Zema (Novo) e Samara Martins (UP) registram 1% cada;
  • Ceará: o petista aparece com 55% das intenções de voto no primeiro turno, seguido por Flávio, com 22%, Renan Santos, com 2%; Caiado, Zema, Augusto Cury e Cabo Daciolo têm 1% cada;
  • Pará: Lula está na frente no primeiro turno, com 38% das intenções de voto; Flávio tem 31%; Renan e Caiado têm 3% cada; Augusto Cury e Samara Martins marcam 2% cada; outros 11% estão indecisos;
  • Pernambuco: Lula registra 55%, enquanto Flávio Bolsonaro tem 21%; Augusto Cury e Renan Santos marcam 2% cada; os ex-governadores Zema e Caiado aparecem com 1% cada.

Flávio na liderança

  • Paraná: o candidato do PL está na frente na sondagem de primeiro turno com 42%, contra 24% de Lula; Augusto Cury, Renan, Zema, Caiado e Samara Martins (UP) aparecem com 2% cada;

Estados onde há empate técnico

  • Minas Gerais: Lula e Flávio têm, respectivamente, 30% e 29% das intenções de voto no primeiro turno; Zema, ex-governador do estado, tem 12%; Caiado marca 4% e Renan Santos, 2%. Indecisos somam 11%;
  • Rio de Janeiro: Flávio tem 32%, e Lula tem 30%; Caiado marca 3%, Renan e Zema  2% cada; indecisos somam 13%; Cabo Daciolo, Augusto Cury e Samara Martins registram 1% cada;
  • Rio Grande do Sul: Flávio marca 32%, contra 30% de Lula; Caiado tem 3%, Renan Santos, 2%, e Augusto Cury, Zema e Samara Martins aparecem com 1% cada; 19% dizem estar indecisos;
  • São Paulo: O candidato do PL tem 34%, e Lula, 30%. Renan Santos, Romeu Zema e Ronaldo Caiado marcam 3% cada; Augusto Cury tem 2%; Cabo Daciolo e Samara Martins registram 1% cada; 10% se dizem indecisos.

Estados onde a disputa para governador está acirrada

  • Bahia: ACM Neto (União Brasil), que deve apoiar Caiado, aparece com 39% das intenções de voto no primeiro turno, em empate técnico com o atual governador, Jerônimo Rodrigues (PT), que tem 38% e é o candidato do presidente;
  • Pará: A atual governadora Hana Ghassan (MDB), apoiada por Lula, tem 24% das intenções de voto, enquanto Dr. Daniel Santos (Podemos) marca 20%; ambos estão empatados na margem de erro;
  • Pernambuco: Mesmo sem ser a candidata apoiada oficialmente por Lula, a governadora Raquel Lyra (PSD) não pode ser considerada de oposição ao petista. Ela tem 43% das intenções de voto; João Campos (PSB), o nome do presidente,  aparece com 37%;
  • Rio de Janeiro: Eduardo Paes (PSD), apoiado por Lula, lidera todos os cenários de primeiro turno, variando entre 42% e 38% das intenções de voto; Douglas Ruas (PL), apoiado por Flávio e Anthony Garotinho (Republicanos) aparecem na sequência com 10% cada;
  • Rio Grande do Sul: Juliana Brizola (PDT), apoiada por Lula, aparece com 24% das intenções de voto no primeiro turno, seguida por Luciano Zucco (PL), o candidato de Flávio, com 22%; eles estão tecnicamente empatados.

Estados onde candidatos de oposição a Lula estão na frente

  • Ceará: Ciro Gomes (PSDB), que negocia palanque com Caiado, está na frente na sondagem de primeiro turno, com 43% das intenções de voto, enquanto o governador Elmano de Freitas (PT), o candidato de Lula, aparece com 33%;
  • Minas Gerais: Cleitinho Azevedo (Republicanos), de oposição a Lula, lidera em todos os cenários em que foi testado, variando entre 35% e 34%. Patrus Ananias (PT), o candidato do presidente, varia entre 10% e 13%; no entanto, Cleitinho não tem a garantia de seu partido de que será candidato;
  • Paraná: Algoz de Lula na Operação Lava Jato, Sergio Moro (PL), o candidato de Flávio, lidera todos os cenários de primeiro turno, variando entre 40% e 39%. Requião Filho (PDT), o nome apoiado pelo presidente, marca entre 24% e 18%;
  • São Paulo: O governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) mantém a dianteira, com 41% das intenções de voto em simulação de primeiro turno das eleições; o ex-ministro de Lula Fernando Haddad (PT) que marca 26%.

Dados das pesquisas

As pesquisas foram realizadas entre os dias 21 e 28 de julho e estão registradas no TSE. A margem de erro varia entre 3 e 2 pontos percentuais para mais ou para menos.