Pesquisa mostra empate técnico com Lula e fragilidade oculta de Flávio Bolsonaro

A pesquisa Real Time Big Data divulgada na terça-feira (21/7) traz uma leitura em duas camadas sobre a candidatura de Flávio Bolsonaro (PL). Na superfície, os números são positivos: 33% no primeiro turno e 42% no segundo confirmam o senador como o principal adversário de Lula, empatado com o presidente na margem de erro da pesquisa. Mas um segundo indicador, menos comentado, revela uma vulnerabilidade significativa: dois terços de seus eleitores (67%) admitem trocar de candidato caso identifiquem uma alternativa mais competitiva para derrotar o adversário que mais rejeitam.

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Por que isso importa

Intenção de voto mede a fotografia do momento. Disposição ao voto útil mede a estabilidade dessa fotografia. E pela pesquisa, apenas 33% dizem que manteriam sua escolha. A conta é simples. Ter 33% das intenções de voto não significa muita coisa se boa parte desse grupo se mostra disposta a mudar. Esse menor grau de fidelidade torna a candidatura mais exposta, alimentando as investidas de Renan Santos (Missão), Ronaldo Caiado (PSD) e Romeu Zema (Novo) – ainda que, por ora, com baixo impacto.

O contraste com Lula (PT) é o ponto central do levantamento: 73% dos eleitores do presidente dizem que não trocariam de candidato, quase o espelho invertido do quadro bolsonarista. Isso sugere que, embora estejam próximos em intenção de voto no segundo turno, os dois campos chegam às vésperas das convenções partidárias com graus de solidez muito diferentes.

Entre as candidaturas menores, a propensão ao voto útil é ainda mais elevada, mas o peso disso no resultado final é menor, dado o contingente de apoiadores. Entre os eleitores de Zema, 82% admitem trocar de candidato; entre os de Caiado, 80%. Já Renan Santos tem uma base mais dividida: 55% ficariam com ele, os outros 45% poderiam abandoná-lo em favor de uma candidatura mais competitiva.

Em conjunto, os dados indicam que Lula chega ao período das convenções partidárias com a base mais consolidada entre os principais candidatos. Flávio Bolsonaro, por sua vez, mantém um eleitorado numeroso, mas com menor coesão, o que aumenta sua exposição a perdas caso o voto útil passe a ganhar força no campo da direita. Já as candidaturas de menor expressão concentram os eleitores mais propensos a mudar de preferência.

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O esperado é convergência para os polos

O que se espera é que o apoio migre para os polos à medida que a eleição se aproxima. Quanto mais perto do pleito mais o eleitor troca “quem eu prefiro” por “quem pode vencer”. Ou seja, muitos eleitores “sondam” alternativas no início e convergem depois. Isso naturalmente empurra os votos para quem já lidera as pesquisas hoje – no caso, Lula e Flávio Bolsonaro. Foi o que aconteceu em 2022, por exemplo: candidatos como Ciro Gomes, com um eleitorado mais suscetível a trocas estratégicas, perderam força para Lula e Bolsonaro nas semanas finais da campanha.

O esperado é convergência para os polos. A pergunta em aberto é se Flávio é o polo definitivo da direita ou se ainda pode ser substituído por outro nome dentro do próprio campo. A pesquisa sugere que o campo bolsonarista tem mais eleitores “em disputa” internamente – o que pode tanto consolidar Flávio (se ele absorver os votos de Zema, Caiado e Renan Santos) quanto fragilizá-lo (se um desses nomes crescer o suficiente para se tornar o “voto útil” da direita antes dele).

O levantamento foi realizado de forma híbrida, por telefone, com apoio de inteligência artificial, e pela internet. Foram ouvidos 2.000 eleitores, entre os dias 18 e 20 de julho. A margem de erro é de dois pontos percentuais com nível de confiança de 95%. A pesquisa está registrada no TSE sob o número BR-05864/2026.