Cerca de R$ 1,3 bilhão em emendas foi destinado por lideranças parlamentares em 2025 sem apontar o real autor da emenda, mostra um relatório divulgado hoje pela Transparência Brasil, formando uma nova configuração de “orçamento secreto”.
A divulgação acontece alguns dias depois do ministro Flávio Dino autorizar o bloqueio de bens do líder do PL, Valdemar Costa Neto, por ter determinado recursos para emendas parlamentares mesmo sem ser deputado.
A pressão do Judiciário é mais um desgaste para a lista de crises na campanha de Flávio Bolsonaro.
Boa leitura e bom começo de semana!
O PONTO CENTRAL
1. Ghost writers
A Câmara dos Deputados destinou, em 2025, R$ 1,3 bilhão em emendas parlamentares que não divulgaram o nome do real responsável pela indicação, Carolina Maingué Pires escreve no JOTA.
- Os dados são de um relatório da Transparência Brasil publicado hoje (13/7).
- O valor é a soma de 1.341 indicações de emendas de comissão registradas em nome das lideranças partidárias, e não do parlamentar autor da emenda.
- Segundo a Transparência Brasil, essas “emendas da liderança” têm funcionado como uma forma de reviver o orçamento secreto.
- O relatório aponta ainda que o processo de execução das emendas impossibilita o rastreamento dos recursos.
🔭Panorama As “emendas de liderança” foram operadas por sete bancadas partidárias: PP, União Brasil, Republicanos, PL, Avante, Podemos e Solidariedade.
- Cerca de R$ 818 milhões dessas emendas de liderança foram indicadas pela Comissão da Saúde, dominada pelo PL.
- O relatório foi divulgado alguns dias depois de o ministro do STF Flávio Dino bloquear o patrimônio do presidente do PL, Valdemar da Costa Neto, por indicar emendas mesmo sem ser deputado.
2. Cresce a lista

A decisão do ministro do STF Flávio Dino de bloquear o patrimônio do presidente do PL, Valdemar Costa Neto, por esquema supostamente operado por ele na Câmara acrescenta mais um problema à lista de crises na pré-campanha de Flávio Bolsonaro, Marianna Holanda escreve no JOTA PRO Poder.
- De acordo com a Polícia Federal, Valdemar se comportava como deputado mesmo sem mandato e indicou R$ 119 milhões em emendas. Leia mais.
- Dino apontou semelhanças entre o orçamento secreto — encerrado por decisão do próprio Supremo — e o esquema de Valdemar.
- O desgaste com o presidente do seu partido se soma à lista de crises enfrentadas por Flávio, que já inclui o vídeo com críticas publicado por Michelle Bolsonaro; a perda da narrativa política sobre o tarifaço e a relação próxima com Daniel Vorcaro no caso “Dark Horse”.
🔭 Panorama Valdemar é peça central na articulação dos palanques que pretendem dar sustentação à candidatura de Flávio. Sua fragilização pela pressão do Judiciário abre espaço para o contra-ataque do PT, que diariamente tenta atrair fragmentos de partidos que se movimentam com a conjuntura, como União Brasil, PP e Republicanos.
- É nesse cenário fragilizado que Flávio encerrou a semana justamente no Ceará, onde começou a crise com a madrasta.
- O evento expôs o tamanho do desgaste acumulado: sem Michelle, sem Priscila Costa e sem Ciro Gomes, que deve ser o candidato da coligação de Flávio no Estado.
Sim, mas… O entorno de Flávio e outros dirigentes partidários afirmam que a operação de sexta foi politicamente motivada. O grupo afirma que o objetivo seria prejudicar a campanha do presidenciável do PL.
UMA MENSAGEM DO SINDICOM
Distribuição de combustíveis movimenta R$ 881 bilhões por ano

O setor de distribuição de combustíveis e lubrificantes é responsável por movimentar R$ 881 bilhões por ano, empregar 447 mil pessoas e abastecer 99% dos municípios brasileiros.
A dimensão dessa operação está mapeada em um panorama setorial recém-atualizado pela LCA Consultoria Econômica, encomendado pelo Sindicato Nacional das Empresas Distribuidoras de Combustíveis e de Lubrificantes (Sindicom). Com ano-base 2025, o estudo mostra que o setor:
- movimentou 137 bilhões de litros de combustível em 2025, o que resultou em 3,7 milhões de viagens rodoviárias, o equivalente a 83 voltas ao redor da Terra por dia, percorridas pelos caminhões-tanque.
3. ‘Sacrifícios’

Com a ajuda de aliados históricos e do Centrão e contando com “sacrifícios” do PT, o presidente Lula conseguiu definir seus palanques em 25 estados, Beto Bombig revela em relatório do JOTA PRO Poder.
- O petista reverteu as expectativas iniciais e agora leva vantagem sobre Flávio na definição dos arranjos regionais.
- Até agora, o PT deverá ter candidatos a governador em 11 estados e, para os outros, contará com a ajuda de aliados históricos, como o PSB, ou do Centrão.
- O senador passou a ter dificuldades em definir seus palanques após a revelação de suas conversas com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro.
- Flávio contará com candidatos do PL em 12 estados e terá ajuda de aliados da direita em outros cinco.
Sim, mas… Apesar dos palanques definidos, as chances de vitória dos candidatos próprios do PT são boas em apenas três estados — Bahia, Ceará e Piauí — onde governadores petistas concorrem à reeleição.
- Nos outros oito estados, o partido delegou a seus quadros a “missão” de ajudar Lula, a despeito da pouca viabilidade eleitoral das empreitadas, os chamados “sacrifícios”.
- O exemplo mais claro dessa estratégia é São Paulo, onde o ex-ministro Fernando Haddad, a contragosto, disputa o Palácio dos Bandeirantes com poucas chances de ultrapassar o governador Tarcísio de Freitas.
4. Dívida rural

O governo pretende editar nesta semana uma Medida Provisória para tratar do refinanciamento da dívida do agro, Fávio Pupo escreve no JOTA PRO Poder.
- Apesar da pressão do setor, a medida deve vir com critérios estabelecidos pela Fazenda para limitar o impacto fiscal.
- O ministro da Fazenda, Dario Durigan, declarou na sexta (10/7) que as taxas de juros devem ser de 6% para o pequeno agricultor, 9% para o médio e 11% a 12% para o grande produtor rural.
- Os valores estão acima dos previstos no texto do projeto aprovado pelo Senado há um mês, que trazia taxas de 3,5%, 5,5% e 7,5%.
Sim, mas… A Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) vem criticando as alíquotas sugeridas pelo governo, especialmente a de 12% para os grandes empresários do setor.
- O argumento é de que esse patamar é inviável para quem já está endividado e inadimplente, o que faria com que o programa perdesse o seu objetivo principal de reabilitar os trabalhadores do campo.
5. Concorrência e as big techs

A última semana de trabalho na Câmara dos Deputados antes do recesso terá a tramitação do projeto de lei que regula a concorrência dos mercados digitais, Eduardo Ghirotto e Karol Bandeira escrevem no JOTA PRO Tecnologia.
- O relator Aliel Machado (PV-PR) tentará costurar um improvável acordo para votar o texto ainda nesta semana.
Por que importa O projeto visa corrigir falhas de mercado, coibir o abuso de poder econômico das gigantes de tecnologia e proteger a livre concorrência.
Sim, mas… O Centrão já demonstrou indisposição para dar espaço a projetos controversos, com medo de que a repercussão afete as campanhas eleitorais que começam no fim do mês.
6. Divididos e disfuncionais

Municípios brasileiros com maior segregação socioeconômica — maior separação espacial entre os mais ricos e mais pobres — arrecadam menos impostos e oferecem piores serviços, escreve Katarina Moraes em relatório especial do JOTA PRO Tributos.
- Eles arrecadam menos IPTU, apresentam maior informalidade, possuem burocracias menos qualificadas e investem menos na modernização da administração tributária.
- Os dados são de uma pesquisa do doutorando em Ciência Política Lucas Borba na Vanderbilt University, nos Estados Unidos.
🔭 Panorama Segundo o estudo, cria-se um ciclo em que a percepção de abandono por parte da população reduz a disposição para pagar impostos, enfraquecendo ainda mais a capacidade do Estado de prestar serviços públicos.
AGENDA BSB
7. Projeção para inflação e mais
- O Ministério da Fazenda deve elevar nesta semana a inflação oficial prevista para 2026 devido aos efeitos do El Niño. A apresentação dos números está prevista para a próxima quarta-feira (15). A projeção atual do governo para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) está em 4,5%, teto da meta estabelecida pelo Banco Central. Nas contas do mercado, no entanto, o percentual deve ficar em 5,1%.
- Deputados e senadores entram em recesso a partir da próxima sexta (17/7) e só retomam os trabalhos em 3 de agosto. Oficialmente, os parlamentares não poderiam entrar em hiato, já que a Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) não foi votada. Trata-se, portanto, de um “recesso branco”, de caráter informal.
- O governo deve reavaliar nos próximos dias o destino da subvenção à gasolina. A análise estava prevista para a última semana, mas foi adiada diante do novo encarecimento do petróleo devido à volta da tensão entre os Estados Unidos e o Irã. O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou que a intenção é continuar com a retirada das medidas assim que as condições de mercado permitirem.
- O presidente do TSE, Nunes Marques, comanda nesta semana duas reuniões com assuntos que vão reverberar durante toda a campanha eleitoral. A primeira será na terça (14/7) com institutos de pesquisa. Um dos pontos na discussão com institutos é o uso de áudios ou vídeos nas pesquisas e o potencial de induzir o eleitor. Já na quinta (16/7), a reunião será com plataformas digitais, sobre a renovação das parcerias tradicionais que o TSE faz com as empresas de redes sociais para combater a desinformação.

